Como calcular o custo real de um funcionário CLT antes de contratar
Da redação · 4 min de leitura

O salário anunciado na vaga é só a parte mais visível da conta. Quem contrata pelo regime da CLT assume também encargos sobre a folha, depósitos de FGTS, benefícios e as provisões de férias e 13º salário, que precisam ser reservadas mês a mês. Calcular o custo de funcionário CLT antes de contratar evita a surpresa de descobrir, três meses depois, que a vaga consome bem mais do que o previsto.
Passo 1: comece pelo salário bruto e pelos adicionais
Parta do salário bruto que será registrado em carteira. Some os adicionais que a função exige de forma habitual: insalubridade, periculosidade, adicional noturno, horas extras frequentes ou comissões médias. Se a média de horas extras de um cargo parecido na empresa é conhecida, inclua-a na estimativa.
Passo 2: identifique o regime tributário da empresa
Os encargos mudam bastante conforme o regime:
- Lucro Presumido e Lucro Real: a empresa recolhe a contribuição previdenciária patronal de 20% sobre a folha, mais a contribuição para riscos ambientais do trabalho, que varia conforme a atividade, e as contribuições a terceiros, destinadas a entidades como Sesi, Senai, Sesc, Senac e Sebrae, conforme o enquadramento.
- Simples Nacional: na maior parte das atividades, a contribuição patronal já está incluída na guia única, e a empresa não recolhe os 20% à parte. Algumas atividades do Anexo IV são exceção e pagam a contribuição previdenciária separadamente.
Confirme com o contador qual é o seu caso, porque essa diferença pode mudar o custo total de forma significativa.
Passo 3: some o FGTS
O depósito do FGTS corresponde a 8% da remuneração mensal e vale para todos os regimes tributários. Ele incide também sobre o 13º e sobre as férias. Em caso de demissão sem justa causa, há ainda a multa de 40% sobre o saldo, que pode entrar numa provisão de rescisão se a empresa quiser ser mais conservadora.
Passo 4: provisione férias e 13º salário
Todo empregado tem direito a um 13º salário por ano e a 30 dias de férias remuneradas com acréscimo de um terço. Para não sentir o impacto de uma vez, a empresa provisiona uma fração todo mês:
- 13º salário: um doze avos do salário por mês.
- Férias com um terço: um doze avos do salário mais um terço desse valor por mês.
Sobre essas provisões também incidem FGTS e, conforme o regime, os encargos patronais. É comum esquecer esse detalhe, o que subestima o custo real.
Passo 5: inclua os benefícios
Liste o que a empresa oferece ou é obrigada a oferecer por lei ou convenção coletiva:
- vale-transporte, lembrando que o empregado pode ter até 6% do salário descontado e a empresa arca com o restante;
- vale-refeição ou alimentação;
- plano de saúde e odontológico;
- seguro de vida, quando previsto na convenção da categoria;
- auxílio-creche e outros benefícios previstos em convenção coletiva.
Consulte a convenção coletiva da categoria antes de fechar a conta: ela pode estabelecer piso salarial, benefícios obrigatórios e reajustes que afetam o valor.
Passo 6: não esqueça os custos indiretos
Uma contratação também traz custos que não aparecem na folha: exames admissionais e periódicos, equipamentos, licenças de software, uniforme, espaço físico, treinamento inicial e o tempo do gestor dedicado à integração. Não é preciso precisão absoluta aqui, mas ignorar esses itens distorce a comparação.
Um exemplo simplificado
Imagine um salário de R$ 3.000 numa empresa do Lucro Presumido. Por mês, a conta aproximada inclui:
- salário: R$ 3.000;
- provisão de 13º: R$ 250;
- provisão de férias com um terço: cerca de R$ 333;
- FGTS de 8% sobre salário e provisões: cerca de R$ 287;
- contribuição patronal de 20% sobre salário e provisões: cerca de R$ 717;
- RAT e terceiros, variáveis conforme a atividade;
- benefícios, conforme a política da empresa.
Só com salário, provisões, FGTS e contribuição patronal, o valor passa de R$ 4.500, antes de somar benefícios e as demais contribuições. Numa empresa do Simples, fora do Anexo IV, a parcela patronal sai dessa conta e o total cai.
Compare o custo com o que a vaga deve gerar
Com o custo mensal em mãos, a pergunta seguinte é quanto a função precisa gerar para se pagar. Em vendas, isso pode ser traduzido em faturamento mínimo; em produção, em volume adicional; em funções de apoio, em horas liberadas de outras pessoas ou em erros evitados. Se o retorno esperado não cobre o custo com folga, talvez a solução seja outra: redistribuir tarefas, automatizar parte do processo ou contratar um serviço pontual.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre o custo de funcionário CLT no Simples e no Lucro Presumido?
A principal diferença é a contribuição previdenciária patronal de 20%, que no Simples, na maioria das atividades, já está dentro da guia única. Por isso, o mesmo salário custa menos para uma empresa do Simples.
Preciso provisionar a multa do FGTS?
Não é obrigatório, mas é prudente. Reservar uma parte mensal para uma eventual rescisão evita aperto de caixa se o contrato terminar sem justa causa.
A convenção coletiva pode aumentar o custo?
Sim. Pisos salariais, benefícios obrigatórios e adicionais definidos em convenção coletiva entram na conta e podem elevar o custo acima do cálculo baseado apenas na lei.
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